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Capítulo 1
A História do Brasil nas Olimpíadas

       Parece óbvio, mas o movimento olímpico surgiu pelas mãos de um apaixonado por esportes. O historiador, político e pedagogo francês Pierre de Frédy, conhecido como Pierre de Coubertin ou Barão de Coubertin, foi o idealizador. Coubertin era apaixonado por esportes e praticou esgrima, boxe, equitação e tênis, até que começou a criar associações esportivas para pupilos, já que considerava o esporte um elemento primordial na educação. Fascinado pelo legado grego dos Jogos realizados na Antiguidade, em Olímpia, e influenciado por outros eventos como o comércio internacional, Coubertin idealizou o movimento. A princípio, o objetivo era promover o esporte pela França, mas também para outros países, a fim de que as nações encontrassem a paz mundial através do esporte. Daí o surgimento do Olimpismo, uma filosofia de vida que tem como princípio a amizade, a compreensão mútua, a igualdade, a solidariedade e o jogo limpo.

       Em junho de 1894, numa convenção em Sorbonne, na França, os gregos aceitaram sediar os primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna, após Coubertin expor seu projeto de recriação das Olimpíadas mais de uma vez. Na ocasião, foi fundado o Comitê Olímpico Internacional (COI). Os primeiros Jogos ocorreram em abril de 1896, com delegações de 14 países e 241 atletas.

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Formação inicial Comitê Olímpico Internacional antes dos Jogos de 1986. Da esquerda para a direita, em pé: Gebhart (Alemanha), Guth-Jarkovsky (Boémia); Kemeny (Hungria); Balk (Suécia); sentados: Coubertin (França); Vikelas (Grécia) e Butovsky (Rússia). Foto: Wiki Commons
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Abertura da primeira Olimpíada da Era moderna, em Atenas, na Grécia - 1896. Foto: Hulton archive/getty
Uma História Movimentada

       A entrada do Brasil no Movimento Olímpico ocorreu em 1913, a partir de um convite feito por Pierre de Coubertin ao então ministro do Brasil na Suíça, Raul do Rio Branco. Coubertin convidou o ministro a participar do Congresso Olímpico Internacional em Lausanne e a fazer parte do Comitê Olímpico Internacional como representante brasileiro. Dentre os argumentos utilizados para convencer Rio Branco, o mais significante foi a inclusão do Brasil em um cenário internacional já compartilhado por outras nações. O ministro, que até então não tinha muito conhecimento sobre o esporte brasileiro e a situação de possíveis atletas, aceitou o convite e sugeriu que fosse feita a divulgação dos ideais olímpicos no país antes da participação brasileira.

        A primeira participação brasileira nos Jogos ocorreu em 1920, em Antuérpia, na Bélgica, visto que os Jogos de 1916, que aconteceriam em Berlim, foram cancelados em função da Primeira Guerra Mundial. Na ocasião, já haviam sido criados o Comitê Olímpico Nacional (CON) e a Confederação Brasileira de Desportos (CBD), em 1914, no Rio de Janeiro. Os representantes das duas confederações eram membros de entidades esportivas nacionais e da elite brasileira. A delegação enviada à Bélgica contou com 21 atletas, nos esportes remo, tiro esportivo, natação, polo aquático e saltos ornamentais.

       A estreia do Brasil nos Jogos também trouxe ao país o primeiro ouro. Guilherme Paraense, natural de Belém (PA), conquistou o primeiro lugar no tiro esportivo, na prova de pistola rápida 30m. O esportista era militar e desde cedo desenvolveu sua habilidade em atirar. No dia anterior ao feito de Guilherme, Afrânio Costa conquistou a prata, nos 50m de pistola livre 60 tiros. Ainda naquele dia, um time formado por Afrânio, Guilherme, Sebastião Wolf, Dario Barbosa e Fernando Soledade conquistou o bronze, na prova de pistola 50m por equipes. Talvez ninguém imaginasse, naquela época, que o espírito vitorioso do Brasil perpetuar-se-ia por muitos anos, até os dias atuais.          

 

                 A relação entre o CON e a CBD abalou-se explicitamente antes dos Jogos de Paris, em 1924. A Confederação Brasileira de Desportos, entidade ligada ao governo – diferentemente da CON –  e, até então, responsável pela preparação dos atletas que disputariam o torneio, viu-se sem ajuda governamental para custear as despesas dos atletas, após disputas de interesses políticos internos e retirou a inscrição dos atletas brasileiros da competição. Inconformado, o presidente da Federação Brasileira de Atletismo, Antônio Prado Júnior, decidiu arrecadar fundos de forma independente para o custeio de sua delegação, façanha concretizada com sucesso. Ele contou com o apoio do jornal O Estado de S. Paulo, que além de divulgar a campanha, também fez sua própria doação. Nesse ano, dois remadores, Carlos e Edmundo Castelo Branco também participaram, porém sem qualquer vínculo com  os demais integrantes brasileiros.

       

        O Brasil não participou dos Jogos Olímpicos de Amsterdam em 1928, alegando falta de recursos.

 

      A descentralização dos atletas e a falta de consenso entre as instituições brasileiras levaram à criação, em 1935, do Comitê Olímpico Brasileiro, presidido de início por Antônio Prado Júnior. Os embaixadores do comitê foram Raul do Rio Branco, pioneiro da participação brasileira nos Jogos Olímpicos, Arnaldo Guinle e José Ferreira dos Santos, contando com total apoio do Comitê Olímpico Internacional, até então presidido pelo Conde Henri Baillet-Latour. A Confederação Brasileira de Desportos não participou da cerimônia, na tentativa de manter-se apartada, fato lamentado por Prado Júnior.

        Durante os anos 30, o Brasil bateu seu próprio recorde: Piedade Coutinho ficou em quinto lugar no 400m livre nas Olimpíadas de Berlim, em 1936. Na ocasião, participaram do Jogos 94 atletas brasileiros de 10 modalidades. No mesmo ano, Sylvio de Magalhães Padilha, que futuramente presidiria o COB, ficou em quinto lugar nos 400 metros com barreiras.

      As edições dos Jogos de 1940 e 1944 foram canceladas, devido à Segunda Guerra Mundial. A competição retornou em 1948, com as Olimpíadas de Londres, na qual o Brasil levou 81 atletas e conquistou o bronze no basquete masculino, a primeira medalha em esportes coletivos do país.

 

     

 

     

      Nos anos seguintes, o Brasil foi conquistando seu espaço no cenário olímpico mundial. Em 1951, a cidade de Buenos Aires sediou os primeiros Jogos Pan-americanos, que deram mais visibilidade ao continente sul-americano. Já nos Jogos de 1952, em Helsinque, o país contou com 108 atletas e conquistou a medalha de ouro com Adhemar Ferreira da Silva e direito a recorde mundial. O atleta repetiu o feito nas Olimpíadas seguintes, em 1956, em Melbourne e se tornou o primeiro brasileiro a ganhar duas medalhas de ouro em olimpíadas consecutivas.

 

       Em 1958, foi fundado no Rio de Janeiro o Clube do Otimismo, por Robson Sampaio de Almeida e pelo técnico Aldo Miccolis. O Clube foi pioneiro no esporte paralímpico no Brasil, que teve como primeiro esporte praticado o basquete em cadeira de rodas, trazido por brasileiros que conheceram a modalidade nos Estados Unidos.

        Vale lembrar que a prática competitiva de esportes por pessoas com deficiência  iniciou-se em Londres. O médico Ludwig Guttmann, a pedido do governo britânico, abriu em 1944 um centro especializado em lesões na coluna, no Stoke Mandeville Hospital, onde inicialmente eram tratados veteranos de guerra e pessoas paralíticas. A recuperação dos pacientes evoluiu por meio do esporte: Guttmann introduziu exercícios como arremesso de bola, para aumentar a resistência física, e aos poucos os pacientes adotaram práticas competitivas. Em 1948, Guttmann organizou a primeira competição de tiro com arco em cadeira de rodas, na abertura dos Jogos Olímpicos de Londres. A competição ficou conhecida como Jogos de Stoke Mandeville e foi realizada em uma das instalações do Stoke Mandeville Hospital, onde eram tratados os pacientes.

       

 

        No ano de 1960 foi realizada a primeira edição dos Jogos Paralímpicos, em Roma, na Itália. Porém, o Brasil só estreou na competição na edição de 1972, em Heidelberg. Hoje, às vésperas dos Jogos de Paris 2024, o país pode ser considerado uma potência paralímpica com 373 medalhas conquistadas ao longo da história, num total de 13 edições.

 

     Já em 1963, a cidade de São Paulo sediou os Jogos Pan-Americanos, com apoio do COB. As Olimpíadas de 1964 e 1968 também trouxeram medalhas ao país. Na primeira, o Brasil voltou com o bronze no basquete masculino e teve apenas uma mulher na delegação: Aída dos Santos. Na  segunda, o país conseguiu três pódios, numa delegação com 84 atletas em 13 modalidades.

 

      Na década de 1970, o Brasil passou por um período de preparação e desenvolvimento. Nessa época, o país também aumentou sua participação em campeonatos nacionais e o COB conseguiu que parte da verba da Loteria Esportiva fosse repassada ao esporte olímpico. A preparação para os atletas que participaram das Olimpíadas de Moscou, em 1980, já contou com essa verba.

        Em 1982, o COB conseguiu um decreto-lei que instituiu o repasse do dinheiro da loteria para o Comitê em anos em que não houvesse jogos. Hoje, a lei conhecida como Lei das Loterias, que teve suas diretrizes detalhadas no Decreto nº 11.010 de 2022, é de extrema importância para a Instituição

 

      Nas Olimpíadas de Atlanta, em 1996, foi possível ver um grande avanço no desempenho brasileiro. A delegação contou com 225 atletas em nove modalidades. A partir dos anos 2000, o Brasil cresceu também a nível de investimentos, estrutura, inovações e projetos para a divulgação do esporte olímpico, como as Olimpíadas Escolares, os Jogos Escolares da Juventude e as Olimpíadas Universitárias, criados pelo COB em 2005, sendo que o último contou com apoio da Confederação Brasileira de Desporto Universitário (CBDU). Além disso, grandes campeonatos foram disputados em solo brasileiro, como os VII Jogos Sul-americanos, em 2002, os Jogos Pan-americanos de 2007 e as Olimpíadas Rio 2016.

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Guilherme Paraense - Primeiro campeão olímpico brasileiro. Foto: Reprodução Internet
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Time brasileiro de basquete masculino das Olimpíadas de Londres (1948), composto por Affonso Évora, Alexandre Gemignani, Alfredo da Motta, Alberto Mason, João Francisco Bráz, Marcus Vinícius Dias, Massinet Sorcinelli, Nilton Oliveira, Moacyr Daiuto, Ruy de Freitas e Zenny de Azevedo (Algodão). Foto: Arquivo/CBB
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Jogos de Stoke Mandeville, em Londres , 1948. Foto: Google Arts and Culture/ National Paralympic Heritage Trust
A entrada das mulheres nos Jogos

      Quando os Jogos Olímpicos surgiram na Grécia Antiga, as mulheres eram proibidas de participar e também de assistir, sob pena de morte caso quebrasse a regra. Seu papel era apenas entregar a coroa de oliveira para os vencedores, já que eram vistas como mensageiras dos Deuses e poderiam trazer sorte aos competidores. Naquela época, as mulheres não participavam da economia, política e decisões na sociedade. Mesmo com as evoluções da Era Moderna, nos Jogos criados por Coubertin, as mulheres ainda eram proibidas de participar. O corpo feminino era visto como frágil para praticar esportes e competições, tendo seu papel resumido à maternidade.

 

      Tudo mudou no ano de 1900, nos Jogos de Paris, quando 20 atletas mulheres foram admitidas na competição, contra a vontade do Barão de Coubertin, seu fundador. Ele permaneceu contrário à participação feminina nos Jogos até o fim de sua vida. Das 19 modalidades praticadas na edição, apenas cinco eram permitidas a elas: Hipismo, Golfe, Vela, Tênis e Croquet. A condessa Hélène de Pourtalès, nascida nos Estados Unidos, foi a primeira a participar, disputando a competição de vela e representando a Suíça. Hélène, ao lado do esposo Hermann de Pourtalès e do sobrinho  Bernard de Pourtalès, foi campeã da primeira corrida da categoria 1 - 2 Ton e ficou em segundo lugar na segunda corrida da mesma categoria.  

 

      Outra pioneira no esporte olímpico feminino foi Charlotte Cooper, considerada por muitos de fato a primeira mulher a ganhar o ouro olímpico individualmente. A tenista britânica conquistou duas medalhas no tênis, também nos Jogos de Paris 1900: uma na disputa simples e outra nas duplas mistas. Uma curiosidade é que Charlotte perdeu a audição aos quatro anos de idade e ganhou os jogos sem identificar o som da bola.

 

        A entrada do Brasil nas competições femininas dos Jogos Olímpicos ocorreu em 1932, nos Jogos de Los Angeles, com a patrona Maria Lenk: a primeira brasileira e sul-americana a participar de uma Olimpíada. Maria era nadadora e a única mulher em uma delegação com 67 homens. Ela também foi a primeira mulher a usar o nado borboleta em uma prova de peito, nas Olimpíadas de Berlim, em 1936, e também quebrou os recordes mundiais de 200 e 400 metros no nado peito, durante a preparação para os Jogos de Tóquio 1940, que acabaram sendo cancelados por conta da Segunda Guerra Mundial. Até hoje, Maria é a única brasileira a ter atingido tais marcas.

      Os feitos de Maria não pararam por aí. Em 1943, a nadadora ajudou a criar a Escola Nacional de Educação Física da Universidade do Brasil; em 1988, se tornou a primeira atleta brasileira a entrar para o Swimming Hall of Fame da Federação Internacional de Natação (FINA) e em 2002 recebeu o Colar Olímpico, concedido pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) aos melhores atletas de todos os tempos. A nadadora manteve-se ativa até o fim da vida e faleceu em abril de 2007.

 

       Apesar do espaço conquistado ao longo dos anos, as mulheres só foram aceitas no COI a partir de 1981. Os Jogos de Londres 2012 foram os primeiros a ter representantes mulheres em todas as modalidades. Hoje, o número de mulheres nas Olimpíadas vem crescendo cada vez mais, tendo atingido 44,5% do total de atletas na Rio 2016 e 48,8% em Tóquio 2020. A expectativa para Paris 2024 é que a competição tenha o mesmo número de homens e mulheres, mas não se sabe ao certo se isso acontecerá.

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Maria Lenk foi a primeira nadadora brasileira a estabelecer um recorde mundial. Foto: Arquivo Nacional/Reprodução
Linha do Tempo do Brasil nas Olimpíadas
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Entrada do Brasil no Movimento Olímpico, a partir do convite de Pierre de Coubertin ao então ministro do Brasil na Suíça, Raul do Rio Branco
Maria Lenk se torna a primeira mulher brasileira e sul-americana a participar de uma Olimpíada, nos Jogos de Los Angeles
Primeira participação do Brasil nas Olimpíadas, que também trouxe o primeiro ouro olímpico, com Guilherme Paraense na prova de pistola rápida 30m
Criação do Comitê Olímpico Brasileiro, inicialmente presidido por Antônio Prado Júnior
Grandes conquistas brasileiras
Adhemar Ferreira da Silva

      Uma das primeiras grandes conquistas brasileiras veio com Adhemar Ferreira da Silva, atleta que entrou para a história ao quebrar o recorde mundial de salto triplo e conquistar a medalha de ouro nos Jogos de Helsinque, em junho de 1952, na Finlândia. Adhemar, que competia pelo São Paulo, bateu o recorde que pertencia ao então japonês Naoto Tajima, com uma marca de 16,05m, conquistando o recorde olímpico e a medalha de ouro. O atleta bateu o próprio recorde outras três vezes no mesmo dia, com 16,09m, 16,12m e 16,22m. Foi o único dentre os 35 competidores a saltar mais de 16m. Adhemar bateu o recorde mundial novamente em 1955, nos Jogos Pan-americanos da Cidade do México, saltando 16,56m. Hoje, o recorde masculino pertence ao britânico Jonathan Edwards, com 18,29m, e o feminino à venezuelana Yulimar Rojas, com 15,74m.

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Adhemar Ferreira da Silva bateu o próprio recorde mundial três vezes em uma mesma Olimpíada. Foto: Wiki Commons
A primeira medalha paralímpica

        A primeira medalha paralímpica brasileira veio com a dupla Robson Sampaio e Luiz Carlos da Costa, nas Olimpíadas de Toronto em 1976, na modalidade lawn bowls, um esporte parecido com bocha, que não faz mais parte dos Jogos Paralímpicos. Os atletas conquistaram a medalha de bronze.

Daniel Dias: o maior campão paralímpico

     Não tem como falar do esporte paralímpico sem falar de Daniel Dias. O nadador é o maior campeão dos Jogos pelo Brasil, com 27 medalhas, e também o primeiro a ganhar o outro paralímpico pelo Brasil. Dias fez sua última participação nas Olimpíadas em Tóquio 2020, com três medalhas de bronze nas provas de 100m e 200m livre e no revezamento misto 4x50m livre 20 pontos. Daniel também recebeu, ao longo de sua carreira, o título de melhor atleta olímpico do mundo, após os Jogos de Londres 2012, edição na qual conquistou sua décima medalha em paralimpíadas e quebrou 5 recordes da natação, inclusive o próprio recorde mundial.

 

        Nos Jogos de 2016, no Brasil, Daniel conquistou nove medalhas, sendo 4 de ouro, três de prata e duas de bronze.

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Daniel Dias levou medalha de ouro nos 200m nado livre S5 nos Jogos Paralímpicos Rio 2016. Foto: Wiki Commons
A primeira medalha feminina brasileira

     As primeiras medalhas femininas brasileiras vieram nas Olimpíadas de Atlanta, em 1996, com quatro brasileiras subindo ao pódio. Jaqueline Silva e Sandra Pires conquistaram o ouro no vôlei de praia e Adriana Samuel e Mônica Rodrigues conquistaram a prata, na mesma modalidade. 

 

       Já a primeira medalha individual veio com a judoca Ketleyn Quadros, em Pequim 2008. Na mesma edição, Maurren Maggi ganhou a medalha de ouro no salto em distância: o primeiro ouro do Brasil em um esporte individual.

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Da esquerda para a direita: Mônica Rodrigues, Adriana Samuel, Jaqueline Silva e Sandra Pires nas Olimpíadas de Atlanta, 1996. Foto: Reprodução internet
A medalha Pierre de Coubertin
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Outro grande feito brasileiro nos Jogos Olímpicos veio através de Vanderlei Cordeiro de Lima. O maratonista foi o primeiro e único brasileiro a receber uma das maiores honras do esporte Olímpico, a Medalha Pierre de Coubertin. Criada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), a medalha tem o objetivo de homenagear atletas que demonstram o verdadeiro espírito olímpico durante os Jogos. Vanderlei recebeu a homenagem após as Olimpíadas de Atenas, em 2004. O brasileiro liderava uma maratona quando foi atacado por um irlandês, que entrou na pista e o segurou. Ainda assim, Vanderlei não desistiu e conquistou a medalha de bronze na competição.

Vanderlei Cordeiro de Lima em sua chegada no estádio Panathinaiko, na maratona em Atenas, 2004. Foto: Reprodução Internet
O primeiro ouro em modalidades coletivas

     O primeiro ouro olímpico brasileiro em modalidades coletivas veio nas Olimpíadas de Barcelona, em 1992. A vitória veio pela equipe masculina de voleibol, numa final disputada com a Holanda. Hoje, o Brasil é um dos países mais respeitados no vôlei e já conta com três ouros no masculino e dois no feminino.

      Paulo Conde, atual diretor de comunicação do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), comenta que, na ocasião, os atletas brasileiros que ganharam o ouro se tornaram popstars no Brasil. Confira:

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Os jogadores a partir do alto (da esq. para a dir. e com a medalha no peito) Janelson, Talmo, Pampa, Douglas, Paulão e Marcelo Negrão. Ao centro, Maurício, Tande, Carlão, Giovane e Jorge Edson. Sentado ao lado da Bandeira: Amauri compunham a equipe brasileira. Foto: arquivo/CVB
O atleta com mais medalhas

      Ao pensar em recordes olímpicos, é impossível não pensar no maior medalhista olímpico do Brasil. Esse título pertence ao velejador Robert Scheidt, que conquistou cinco medalhas olímpicas, sendo duas de ouro, duas de prata e duas de bronze. Robert também foi 17 vezes campeão mundial de iatismo e tem mais de 180 títulos nacionais e internacionais.

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Robert Scheidt, maior medalhista olímpico brasileiro. Foto: Wander Roberto/COB
O esporte com mais medalhas

        Um dos esportes de destaque na história olímpica é o Judô. Com um total de 24 medalhas conquistadas até agora, o esporte se tornou, a partir de Tóquio 2020, o que mais trouxe medalhas olímpicas ao Brasil. Foram quatro ouros, três pratas e 17 bronzes. As últimas medalhas olímpicas (até 2023) vieram com Daniel Cargnin e Mayra Aguiar, que levaram o bronze nas Olimpíadas de Tóquio 2020.

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Mayra Aguiar e Daniel Cargnin ficaram com o bronze no judô, nas Olimpíadas de Tóquio 2020. Fotos: Reuters/Sergio Perez
Thiago Braz: o recorde do recorde

      Thiago Braz também foi um grande destaque no cenário olímpico brasileiro, quando conquistou o ouro no salto com vara, nas Olimpíadas Rio 2016. Numa final emocionante, Braz competia com o Francês Renaud Lavillenie, que havia conseguido bater o recorde olímpico, com 5,98m. Thiago tinha mais um salto e bateu o recorde do adversário na própria competição, alcançando 6,03.

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Thiago Braz bate recorde histórico e leva ouro nas Olimpíadas Rio 2016. Foto: Reuters
A primeira medalha olímpica no futebol

     Uma grande conquista também veio recentemente para o futebol olímpico. A primeira medalha de ouro foi conquistada pelo time masculino, também nas Olimpíadas Rio 2016. O empate contra a Alemanha no tempo normal levou o país a uma disputa de pênaltis, na qual a equipe brasileira saiu vitoriosa.

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Da esquerda para a direita: Uilson, Felipe Anderson, Thiago Maia, Rodrigo Dourado, Luan Garcia, William, Walace, Gabriel Jesus, Neymar, Gabriel Barbosa, Rafinha Alcântara, Luan, Douglas Santos, Renato Augusto, Marquinhos, Rodrigo Caio, Zeca e Weverton  faziam parte da seleção brasileira, que levou o ouro nas Olimpíadas Rio 2016. Foto: Getty Images
Uma nova estrela

       Nos últimos anos, um novo nome vem fazendo história no atletismo brasileiro: Rebeca Andrade. Nas Olimpíadas de Tóquio 2020, a ginasta do Flamengo conquistou a prata no individual geral e o ouro no salto, tornando-se a primeira mulher brasileira a subir no pódio olímpico de ginástica artística e a primeira a levar duas medalhas na mesma olimpíada. Após Tóquio, Rebeca continuou sua trajetória, conquistando medalhas no Campeonato Mundial de atletismo (2021), no Pan-Americano de 2022 e no Campeonato Brasileiro do mesmo ano. Ainda em 2022, tornou-se a primeira brasileira a ser campeã mundial do individual geral na Ginástica Artística. Em 2023, Rebeca fez história no Mundial conquistando 5 medalhas: prata na disputa por equipes e no individual geral; bronze na trave, prata no solo e ouro no salto, superando, no último, a atleta Simone Biles, maior vencedora da ginástica artística, que coleciona mais de 30 medalhas em campeonatos de alto nível. Na ocasião, uma cena inspiradora chamou atenção: Simone reverenciou Rebeca, com um gesto como se passasse a coroa ginástica artística para a colega.

 

        No Pan 2023, Rebeca foi destaque ao conquistar quatro medalhas: prata individual e por equipes nas barras assimétricas, ouro no salto e ouro na trave, sendo o último ao lado de Flávia Saraiva, que ficou com a prata. As brasileiras trouxeram uma dobradinha para o Brasil.

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Rebeca Andrade e Flávia Saraiva conquistaram o ouro e a prata na trave, respectivamente. Foto: Ricardo Bufolin/CBG
A nova Era

        As Olimpíadas de Tóquio 2020 vieram com uma surpresa boa para o Brasil: a inclusão dos esportes surf, skate, BMX, escalada esportiva e karatê. Na edição de estreia, o país já se destacou. Levou quatro representantes no surfe e 12 no skate, conquistando medalha de ouro com Ítalo Ferreira, atual campeão mundial de surfe e três pratas no skate, com Kelvin Hoefler e Rayssa Leal (street) e Pedro Barros (park).

 

       Rayssa Leal foi um destaque importante na edição. Também conhecida como  “Fadinha”, a atleta foi a primeira medalhista de prata da história do skate nas olimpíadas, com apenas 13 anos de idade. Até hoje, Rayssa já conquistou dois ouros no Mundial de Skate Street, duas pratas e um bronze; dois ouros nos jogos X-Games e também foi campeã da etapa de Los Angeles da Street League Skateboarding (SLS) em 2019, sendo a atleta mais jovem a ganhar o campeonato, com apenas 11 anos. A skatista também trouxe o primeiro ouro para o Brasil nos Jogos Pan-americanos de 2023 em Santiago, no Chile, na prova feminina de skate street. O Brasil teve direito à dobradinha na categoria, com Pâmela Rosa conquistando o segundo lugar.

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Rayssa Leal e Pâmela Rosa, com ouro e prata, respectivamente. Foto: Alexandre Loureiro/COB

        Segundo um estudo feito pela Confederação Brasileira de Skate, o Brasil tem 8,5 milhões de skatistas na faixa etária entre 8 a 18 anos, o que torna o esporte o segundo mais praticado do país, atrás apenas do futebol.

 

      Para as Olimpíadas de 2024, outros esportes devem fazer parte dos Jogos Olímpicos, como o breaking dance e a canoagem slalom extremo. O beisebol, softbol e karatê sairão  da competição. As mudanças no catálogo de esportes durante as edições se deve a questões culturais, diversidade e também à complexidade logística para produção de alguns esportes.

Esse é um Trabalho de Conclusão de Curso realizado apenas para fins acadêmicos, não sendo autorizada a sua reprodução por outros meios. 
Autores: Gabriel Alexandre e Gabriela Francia

Orientador: Guy Pinto de Almeida Jr.
@2023 - Centro Universitário FIAM FAAM

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