Capítulo 4
Da Base ao Pódio
Ninguém nasce campeão. O tão sonhado lugar no pódio é difícil de ser conquistado e a jornada até lá pode ser desafiadora e requer planejamento, estrutura e o principal: investimento.
O Brasil conta com investimentos governamentais, como o Bolsa Atleta (instituído em 2024), nas categorias Atleta de Base, Estudantil, Atleta Nacional, Atleta Internacional, Olímpico ou Paralímpico e Atleta Pódio e também investimentos estaduais. Porém, esses investimentos, na vida do atleta, podem chegar tarde demais.
Nas categorias Atleta de Base e Estudantil, o atleta recebe uma bolsa de doze parcelas no valor de R$370, o que por muitas vezes não é o suficiente para suprir todas as necessidades para viver do esporte e se profissionalizar. A primeira, que abrange atletas dos 14 a 19 anos de idade, exige que o esportista tenha atingido ao menos a terceira colocação nas modalidades individuais de categorias em eventos indicados pela instituição responsável pelo esporte ou tenha ficado entre os dez melhores atletas do ano anterior em cada modalidade coletiva. Já a segunda, que contempla atletas entre os 14 a 20 anos de idade, também exige que o atleta esteja entre os três primeiros nas modalidades individuais e entre os seis melhores colocados em cada modalidade coletiva.
Já para obter a bolsa Atleta Nacional, que oferece 12 parcelas de R$925, o atleta precisa estar entre os três melhores colocados no evento máximo da temporada nacional ou no ranking nacional da modalidade. Nota-se que, para chegar a esse nível, o atleta percorreu todo o caminho com uma bolsa de R$370. Todo o complemento do investimento, que é feito em equipamentos e equipe multidisciplinar, como nutricionistas, fisioterapeutas e treinadores, acaba vindo de iniciativa privada ou do próprio atleta.
Já a Bolsa Internacional, no valor de R$1.850, é concedida a atletas que tenham representado o Brasil em campeonatos sul-americanos, pan-americanos ou mundiais. A esses campeonatos, somam-se os gastos com passagens, hospedagem e alimentação, também custeado pelo próprio atleta ou patrocínios conseguidos por ele.
A Bolsa Atleta Olímpico ou Paralímpico e a Bolsa Pódio são as melhores a nível de investimento e as que melhor refletem a realidade das necessidades de um atleta. A primeira, no valor de R$3.100, contempla atletas que tenham integrado as delegações olímpica ou paralímpica brasileiras e continuam participando de competições internacionais. Já a segunda, que pode chegar a R$15.000, contempla atletas que estejam entre os 20 melhores do mundo em sua prova e que sejam indicados pelas entidades nacionais de administração do desporto, em conjunto com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) ou o Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) e o Ministério do Esporte.

Categorias do Bolsa Atleta. Infográfico: Gabriel Alexandre e Gabriela Francia
Outra entidade que apoia o esporte brasileiro é a Petrobras, que criou em 2015 o Time Petrobras, um projeto que tem o objetivo de patrocinar o treinamento de atletas olímpicos e paralímpicos de alto rendimento. Desde sua fundação, o projeto já apoiou 85 atletas de 31 modalidades diferentes. A Petrobras já atuava no esporte de alto rendimento desde 2011 e já investiu mais de R$26 milhões de reais na categoria. Dentre os atletas que recebem apoio do projeto estão Ygor Coelho, do badminton e Flávia Saraiva, da Ginástica artística.
Com o cenário atual, muitos atletas relatam que sua principal dificuldade está no caminho até a profissionalização, um período no qual os investimentos e estrutura necessários vêm da própria família, clubes associados e iniciativa privada, mas sem ajuda significativa governamental.
Os gastos de um atleta
Para Bia Bulcão, esgrimista olímpica brasileira, as maiores dificuldades para ingressar e permanecer na esgrima foram financeiras, visto que é um esporte caro e pouco acessível para famílias de baixa renda. “Minha primeira grande dificuldade foi ter o material. Comecei com material de segunda mão, alguns atletas me emprestaram quando eu ia jogar. Eu sou canhota, e no meu primeiro campeonato Pan-Americano que eu fui jogar em 2009, eu precisei usar o material de destro, porque não tinha muitos canhotos, eu não tinha o material oficial, que é homologado pela federação internacional”, afirma.
A família também foi parte essencial na trajetória da atleta: “Depois meu tio foi também um grande incentivador, ele falava ‘se ganhar medalha no brasileiro seu te dou uma máscara’, aí eu fui lá e ganhei…Foi indo assim”.
Atualmente, Bia tem patrocínio da Flèche, marca brasileira que produz equipamentos de esgrima e deu para Bia sua primeira roupa especializada. Além disso, Bia também recebe apoio do Programa de Atletas de Alto Rendimento do Exército, um programa das Forças Armadas desenvolvido em 2009, inicialmente focado em certos atletas, visando os Jogos Mundiais Militares de 2011. O programa, hoje, é fundamental para diversos atletas brasileiros e reflete significativamente no quadro de medalhas. Bia entrou no programa em 2019 e conta que foi um grande diferencial em sua trajetória: “É o único apoio hoje financeiro que eu recebo que eu tenho certeza que vai continuar durante o ano inteiro [...] Foi o que viabilizou minha ida para a Itália, pra realizar treinamentos, que foi algo que seu sempre quis, e pra ter essa segurança de que seu poderia continuar lá”.
Bia comenta também que, ao tornar-se olímpico, o atleta recebe mais visibilidade, oportunidades e investimentos, mas o período até lá tende a ser solitário: “Eu posso dizer que sou uma das atletas hoje que tem mais investimento privado. Fui bastante atrás e não foi fácil. Eu tive que escrever e-mail o dia inteiro, correr atrás, bater em porta de empresa, não é fácil, mas hoje eu consigo viver só de esgrima. Tudo o que eu recebo, pago as minhas competições, vivo com isso, não sobra nada, mas eu consigo fazer. Muitos atletas hoje ainda não conseguem. Mas muito por conta dos resultados que eu tive, se eu não tivesse resultados, provavelmente não teria esse mesmo investimento. No Brasil funciona assim, tem que ter o resultado”.
João da Barreira, atleta brasileiro da modalidade atletismo com barreiras, que se naturalizou português e hoje compete por Portugal, compartilha do mesmo sentimento e destaca os principais problemas no desenvolvimento de atletas no Brasil.
“É muito difícil porque o esporte olímpico no Brasil está muito relacionado a performance e não a questão social [...] Se a menina começa hoje com 12 anos, fica ali, não tem estrutura, não viaja, não tem apoio financeiro, não consegue comer um ovo depois do treino…É assim. Nem chega. Muitos deles nem chegam a essa fase de ganhar bolsa da faculdade. Que tem, tem. E tá sobrando bolsa, então é bom, só que não é o suficiente.”
Além disso, mesmo no alto rendimento, a colocação do atleta interfere diretamente no investimento recebido com enorme diferença já entre os primeiros colocados. No Bolsa Atleta, por exemplo, atletas que ganham medalha tem prioridade na renovação da bolsa.
“O primeiro e segundo atleta do Brasil, vai ter um ganho de R$25 a 30 mil por mês. O quinto ganha R$1.500. Essa é a discrepância. É assim e ponto. É desse jeito’’, afirma João da Barreira. Vale lembrar que esses valores variam entre investimentos públicos e privados e que, quanto mais se destaca, mais chances o atleta tem de conseguir patrocínio. “Se você acha que o quinto é tão ruim assim, entre no site da Confederação Brasileira de Atletismo e veja quanto corre o primeiro e quanto corre o quinto. É uma diferença de seis centésimos. E aí o que acontece? Onde mora o problema? Eles têm esse ranking, que é concreto. Ele faz a nota de corte, pega os três primeiros e investe. O quarto já não investe. Só que o quarto, a diferença dele é de um centésimo. E geralmente o quarto vai lá e ganha do primeiro. Só que ele não entra nos critérios. Então até o terceiro ele vai ganhar apoio e o quarto não ganha nada”, conclui.
Para Ygor Coelho, atleta de Badminton, esse também é um ponto de dor. Para começar a receber a Bolsa Atleta na categoria Internacional, por exemplo, os atletas precisam se destacar nos campeonatos nacionais para conseguir competir internacionalmente e ainda conquistar uma boa colocação em um campeonato internacional.
“Você passa 13 anos da sua vida com seus pais pagando nacional, pagando tudo, para você classificar, você tem que ser um dos quatro melhores, para ir para fora do país. E aí talvez você consiga ganhar das grandes potências e ganhar uma medalha para provar que você é um bolsista internacional. Até esse momento, você já gastou mais do que o Bolsa Atleta paga.”
Segundo ele, um investimento maior na base ajudaria bastante os atletas: “O que eu faria, acho que seu ajudaria mais a base, se já fosse um potencial, que é o que acontece na Dinamarca, se você for um potencial, os caras já puxam você e investem em você, aí quando você tem uns 19, 20 anos, já é um superstar’’, afirma.
Além disso, essa demora no engajamento e investimento é um dos fatores que pode fazer um atleta desistir: “O esporte tem muitas portas, a gente só precisa identificar as oportunidades e investir nelas […] No Badminton, demora muito tempo para você reconhecer um cara e aí talvez ele desista antes porque não tem apoio, não tem ajuda […] sendo que ele poderia ser um futuro. No meu caso, o meu pai investiu muito em mim, não deixou eu desistir e também não deixou os jovens na época desistirem e hoje a gente tem três, quatro atletas que jogam na seleção’’, ressalta Ygor.
Daniel Biscola, treinador de atletismo paralímpico, acredita que as políticas de apoio ao Brasil têm ajudado bastante os atletas, porém que ainda falta investimento em estrutura e desenvolvimento de treinadores, o que também afeta principalmente a base: “Se o atleta de alto rendimento tem como se manter, muitas vezes o atleta de base não tem nem como ser criado porque falta o profissional ou a sustentabilidade do profissional e dessas equipes”, afirma.
Segundo ele, falta uma aproximação entre a esfera do alto rendimento e a da base, para proporcionar apoio tanto aos atletas de elite quanto para quem está começando: “Ao mesmo tempo que eu acho que o Brasil cresceu muito e está muito bem sustentado na questão dos atletas de elite e dos apoios que são dados para esses atletas de elite, eu acho que ainda precisa criar um mecanismo de aproximação entre clubes e Comitê Paralímpico para que toda essa cadeia de entidades e pessoas que têm funções diferentes possam também ser acolhidas dentro do sistema”.
Ygor Coelho comenta o que poderia melhorar nos incentivos públicos aos atletas. Vídeo: Gabriela Alexandre e Gabriela Francia
Daniel Biscola comenta o apoio público durante o ciclo de 2016 e a formação dos atletas de base. Vídeo: Gabriela Alexandre e Gabriela Francia
Um sistema unificado
Essa dificuldade na caminhada da base até o pódio está intrinsecamente ligada à descentralização da gestão do esporte no Brasil e à falta de um modelo interligado entre governo federal, clubes e federações esportivas. O objetivo desse modelo seria trabalhar na formação do atleta com amparo desde sua juventude, visando ao alto rendimento, mas também às categorias de base e à criação de uma forte cultura esportiva no Brasil, que abranja diversos esportes, além do mais amado futebol.
Questionado sobre a atuação do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) no início da carreira dos atletas, Paulo Conde, diretor de comunicação da instituição, pontuou que o foco do COB é no alto rendimento. “O COB, o core business dele, é o alto rendimento. Ao COB cabe trabalhar com quem chegou ao alto nível, aí o COB vai, pega essa equipe, pega esses atletas e tenta dar mais condições de eles se desenvolverem. O foco do COB é basicamente esse. Se a gente for pegar na teoria ali atrás, o COB existe para preparar as delegações brasileiras para os Jogos Olímpicos [...] O escopo desse trabalho é voltado para o alto rendimento”.
Mas, ainda assim, preocupado com isso, o COB criou em 2018 uma área que se chama Desenvolvimento Esportivo e Ciências do Esporte. “Dentro desse conceito dessa diretoria, qual que é o trabalho dela, dar condições de que jovens a partir de 15 [anos] tenham um investimento para que eles possam fazer a transição para o esporte de alto rendimento adulto. Então o COB tem investido nisso há mais de cinco anos”, completa Conde.
Apesar de comum, a prática de manter o foco no alto rendimento, citada por Conde, deve estar ligada a projetos nacionais com captação e capacitação de atletas. O trabalho recente da Holanda é um desses exemplos. Em matéria realizada pela Folha de S. Paulo, Kamiel Maase, histórico atleta holandês e que há 12 anos atua como Gerente de Pesquisa e Inovação de Desempenho, explica que o foco do Comitê Olímpico da Holanda é, também, no mais alto nível. “Se um atleta está no top 8, nós tentamos levá-lo ao alcance da medalha. Não temos como gastar todo o nosso dinheiro e nossa expertise em milhares de atletas”, revela.
E destaca a excelente infraestrutura do país como uma das principais fontes de atletas: “Em cada pequena cidade, vilarejo, você pode jogar futebol, tênis ou hóquei sobre a grama. Nosso país é pequeno e dá oportunidades para todos os jovens praticarem esportes”.
Apesar de não abraçar em praticamente nada os esportes de base — o que difere do COB neste sentido — o Comitê Holandês, pelo que indica Maase, busca abraçar mais e melhor os atletas com plenas condições de medalha, sugestão dada, inclusive, pelo agora português João da Barreira: “Às vezes mais vale fazer um planejamento que tivesse menos investimentos no primeiro, no segundo e no terceiro e pluralizar nos 10 primeiros, por exemplo. Porque a diferença é pequena. Falando hoje, por exemplo, dos 100 metros, o líder do ranking brasileiro dos 100 metros foi quarto lugar no Troféu Brasil 2023”.
Seguindo esses exemplos, o jornalista Guilherme Costa, do Grupo Globo, destaca a importância em se chegar com mais chances de medalhas, ou seja, chegar nos Jogos Olímpicos com um número maior de atletas em alto nível para que o país chegue com grandes chances de pódio, apesar dos imprevistos: “Você tem que ter sempre um leque grande de chances de medalhas. Em Tóquio, o Brasil chegou com um leque gigante. Somando todas as medalhas, você chega com umas 80 chances. Quando você chega com 80 chances, você ganha 20, 21 medalhas. É a proporção que a gente faz. Os Estados Unidos só ganham 100 medalhas na Olimpíada porque chegam com 400 chances. Então tem que aumentar o leque de chances para aumentar o número de medalhas”.
E foi pensando em um projeto esportivo que unificasse os setores, que mesmo antes da Rio 2016, já falava-se sobre o Sistema Nacional do Esporte (SNE), um projeto que tinha como objetivo organizar instituições públicas e privadas para promover políticas esportivas no Brasil, de forma unificada. O projeto olharia para os níveis de atendimento, serviços ofertados e também para o financiamento esportivo, acreditando que, para tornar de fato o esporte uma política de Estado, seria necessária a criação do Fundo Nacional do Esporte, reduzindo as desigualdades. O objetivo principal era garantir o direito constitucional que todo cidadão tem — ou deveria ter — de praticar esporte durante a vida toda, e tornar o Brasil uma potência esportiva sustentável, demonstrando a potencialidade dos atletas da base ao alto rendimento. Entretanto, o projeto só foi implementado este ano, através da Lei Geral do Esporte, sancionada em junho de 2023 pelo presidente Lula. A Lei unifica em um só documento as responsabilidades da União, Estados e Municípios, como a Lei Pelé e a Bolsa Atleta. A lei foi sancionada com 134 vetos pelo presidente, que pediu à então ministra em exercício, Ana Moser, que apresentasse uma proposta com alguns dos temas vetados ao Congresso Nacional.
Em suma, os efeitos do SNE ainda não foram sentidos pelos atletas brasileiros. Às vésperas de mais uma Olimpíada e com chance de pódio em várias modalidades, o Brasil pode alegrar-se com uma luz no fim do túnel, mesmo com as atuais barreiras até o pódio. Isso porque o caminho até se tornar um destaque nacional é muito longo e requer muito apoio familiar e esforço do próprio atleta, tanto em questões financeiras, quanto de animosidade, já que ter poucas referências brasileiras de sucesso pode ser também um forte estímulo para a desistência. Além disso, como dito pelos atletas, a trajetória é normalmente acompanhada de uma luta constante por patrocinadores privados que acreditem e incentivem financeiramente, mesmo que o retorno inicial não seja alto ou que sequer exista. Por isso, o Sistema Nacional do Esporte deve ser pensado não só com o objetivo de conquistar mais medalhas, mas fazer com que aqueles que acreditam no esporte tenham condição de viver — e não sobreviver — dele, mesmo que o objetivo final, que é a medalha, não tenha sido atingido. Ademais, se faz necessário o fortalecimento de uma cultura esportiva no Brasil, visando o interesse e a prática de diversas modalidades, para além do ganho olímpico.
Cenário Paralímpico
Por outro lado, o cenário paralímpico é um pouco diferente. Para o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), iniciação esportiva e alto rendimento devem andar de mãos dadas. Yohansson Ferreira, ex-atleta e atual vice-presidente do CPB, comenta sobre alguns eventos que promovem atletas de base: “No Próximo ano em 2024, teremos as paralimpíadas de Paris. Mas os jovens de hoje que estão em nossos programas de desenvolvimento, começando com o Festival Paralímpico atraindo crianças e jovens para as práticas esportivas, depois os campings escolares e paralimpíadas escolares logo depois do para Pan-Americano, eles que darão continuidade a todo o sucesso que vem existindo no esporte paralímpico. Então, tanto a iniciação esportiva quanto o alto rendimento têm que andar de mãos dadas. A iniciação se tornará o alto rendimento e o alto rendimento serve de espelho, de inspiração para essa garotada nova”.
Yohansson Ferreira, vice-presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), comenta a atuação do Comitê com os atletas de base. Vídeo: Gabriel Alexandre e Gabriela Francia
O Festival Paralímpico é um evento organizado desde 2018 pelo Comitê Paralímpico Brasileiro que proporciona a crianças com ou sem deficiência (até 20%) o contato com esportes paralímpicos de maneira recreativa e divertida. Além disso, o evento também tem o objetivo de difundir o Movimento Paralímpico em território brasileiro. Em 2023, de forma inédita, o festival teve duas edições no mesmo ano – maio e setembro, como citado por Yohansson. O mês de setembro já havia sido escolhido por ser o mês no qual são celebrados o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência (21) e o Dia Nacional do Atleta Paralímpico (22). Neste ano, o Festival de maio reuniu mais de 21 mil participantes e o de Setembro mais de 10 mil e ocorreu em 119 localidades brasileiras espalhadas por todos os estados.
Já as Paralimpíadas Escolares, também citadas por Yohansson, são consideradas o maior evento do mundo para jovens com deficiência em idade escolar. Com sua primeira edição em 2006, o evento organizado pelo CPB já revelou alguns talentos, como Petrúcio Ferreira, recordista mundial nos 100m, bicampeão paralímpico e tri mundial; o jogador de goalball Leomon Moreno, prata no Jogos de Londres, bronze no Rio 2016 e ouro em Tóquio 2020 e a mesatenista Bruna Alexandre, bronze no Rio 2016 e prata nos Jogos de Tóquio 2020. No ano de 2023, o estado de São Paulo foi campeão da terceira fase regional da competição, que teve sua primeira fase em Belém, com o estado sede campeão e a segunda em Brasília, com o estado de Minas Gerais como campeão. Na terceira fase, foram 700 atletas que competiram nas modalidades de bocha, atletismo e natação. A fase nacional ocorrerá em São Paulo, entre os meses de novembro e dezembro.
Para completar, o Camping Escolar Paralímpico, também realizado pelo CPB, é um evento que, de acordo com o site oficial, ocorre desde 2018 e tem como objetivo inserir atletas selecionados a partir das Paralimpíadas Escolares, que tenham entre 12 e 17 anos, em uma rotina similar a de um atleta de alto rendimento. O evento ocorre nos meses de janeiro e julho e proporciona diversas atividades, incluindo avaliações físicas e acompanhamento multidisciplinar aos atletas, que devem atuar em competições de sua modalidade ao longo do ano, como requisito para sua participação.
Todo o investimento em atrair atletas e difundir o Movimento Paralímpico gera resultados. O Brasil é considerado uma potência paralímpica mundial, o que se reflete no quadro de medalhas.
Evolução do Brasil nos Jogos Paralímpicos

Evolução de medalhas conquistadas pelo brasil nas paralimpíadas. Infográfico: Gabriel Alexandre e Gabriela Francia
Para Daniel Biscola, esse é justamente um dos principais fatores que diferencia o esporte olímpico do paralímpico. Segundo ele, o esporte paralímpico se organizou melhor que o olímpico, o que tem ajudado a garantir seu sucesso.
Entretanto, o treinador pondera que o fato de o esporte paralímpico ser mais recente ajuda-o a estar no mesmo patamar dos demais países, pois todos pegaram o movimento começando. Vale considerar que, no cenário olímpico, o Brasil começou a participar apenas na sétima edição, quando vários outros países já tinham competido. “Eu vejo tanto uma questão cultural, o Brasil ainda tem muitas coisas para aprender e se desenvolver em termos de cultura, mas também a questão da organização tem sido muito importante para esse grande desempenho”, afirma.
Vale lembrar que o cenário olímpico brasileiro também conta com projetos como as Olimpíadas Escolares, os Jogos Escolares da Juventude e as Olimpíadas Universitárias, criados em 2005 pelo Comitê Olímpico Brasileiro. Porém, como citado por Paulo Conde, a iniciação esportiva não é uma prioridade para o COB.
O Centro de Treinamento Paralímpico inaugurado em São Paulo, no ano de 2016, é uma das grandes marcas e um dos principais motivos pelos quais o cenário Paralímpico cresceu no Brasil nos últimos anos. Elogiado pelo histórico atleta brasileiro Daniel Dias e pelos treinadores Leonardo Tomasello e Daniel Biscola, o CTP recebe frequentemente competições de formatos municipal, estadual, nacional e continental de diversas modalidades, além de ajudar na formação e na capacitação de inúmeros atletas brasileiros.
Daniel Dias, atleta paralímpico de natação, elogiou o CTP, afirmando que é um grande legado das paralimpíadas 2016 para o Brasil.

